segunda-feira, 1 de abril de 2013

Não somos computadores, nós somos humanos!

Hoje eu acordei humana. Hoje eu vi um trabalhador de camisa social e maleta debaixo dos braços. Hoje eu vi um catador de lixos maltrapilho e de olhos cansados. Hoje eu vi um senhor na varanda da casa, vendo os netos brincarem. Hoje eu vi um aperto de mão sincero de dois estranhos. Hoje eu vi a bandeira do nosso país flamulando ao vento. Hoje eu vi resquícios de uma glória do passado, ao ver um soldado armado, marchando na avenida principal. Hoje eu sorri ao dar um bom dia e acontece que dessa vez, até esperei a pessoa responder. Hoje eu acordei sem pressa, nem fiz drama pra levantar da cama. Hoje quero ver a rima da vida, compor essa minha alegria, porque ela precisa ser publicada, gritada, espalhada. Hoje eu quero apelar para todos os humanos para que reparem nas coisas. Hoje eu vou citar John Green, porque "seja como for, os verdadeiros heróis não são as pessoas que fazem coisas; os verdadeiros heróis são as pessoas que reparam nas coisas, que prestam atenção [...]". 


quarta-feira, 27 de março de 2013

Hazus



Queria saber voar
Pra lá do alto poder te ver
Te ver sorrir, te ver sonhar
Coisas lindas quero te dizer
Se um anjo encontrar
Eu vou pedir pra ele te proteger
Ó estrela que me faz enxergar
Que a vida é linda de viver
(Chimarruts)



E de repente me assustei ao me ver tão fora do controle. Logo eu, tão sistemática e ao mesmo tempo avoada. Perdi as rédeas, me vi flutuando, saí de órbita. Você foi um daqueles que veio sem avisar, me pegando de surpresa. Tenho que admitir: você foi a melhor surpresa que eu já tive! E foi tão natural, quanto a luz do dia... Quem chegasse em mim e falasse que aquela conversa resultaria nesse amor todo, na época, eu iria logo procurar ajuda psicológica pra essa pessoa. Mas foi assim mesmo que aconteceu, o improvável e impossível se uniram. Duas pessoas se permitiram e deu no que deu. E acontece que meu riso é mais bonito ao ver o seu. Aliás, queria dizer que o vento parece que brinca com meu cabelo, só porque sabe que isso te faz sorrir. Mas enfim, voltando para a parte da conquista (a melhor parte), tenho quase toda a certeza que quando o John Green ouvir nossa estória, ele vai pensar que somos os personagens do ACEDE perdidos no mundo. Foi tudo tão surreal, que tentar explicar pra alguém como aconteceu chega a ser perigoso. O ouvinte pode perder o fio da meada no meio da estória e nos julgar erroneamente. Porém, se formos dar ouvidos à opinião das pessoas, nem estaríamos onde estamos, certo? É um sonho te ter todo dia, mesmo que não fisicamente. Mas, como já diz Chimarruts, “é como não ver o sol, mas ter certeza de que está lá”. Tomara que esse sonho “seja eterno enquanto dure e que dure para sempre” (Bonde da Stronda).

domingo, 3 de março de 2013

21 de Maio



Eram ali dois corpos, duas mentes pensantes, duas formas de ver a vida, mas um só amor. Ali não era somente o sexo que os mantinham unidos, eram as risadas, o gosto musical,a forma como ele a irritava quando após sair do banho largava a toalha molhada sobre a cama. Mas era o jeito que ele sorria para se desculpar que a encantava e fazia com que ela ficasse com vontade de tascar lhe um beijo, como aquele lá do dia 21 de maio que nunca mais saiu da memória dela.

Beijo que fez perder o chão e ar. Aquele que foi o primeiro de muitos, aquele que a fez acreditar no amor novamente após sentir seu coração palpitar e suas pernas tremerem. Beijo que ela sempre sonhou em ter...Só não imaginava que seria melhor, que viria acompanhado de carinho, lealdade, broncas necessárias, risadas fora de hora e muito desejo. Aí, quando ela se deu conta um simples beijo já era amor e ela não podia mais evitar. Aliás, nem queria, menina corajosa que sempre foi bateu no peito e pensou "Tô dentro!"







quarta-feira, 13 de fevereiro de 2013

Você, que tem medo de chuva


Oh chuva
Eu peço que caia devagar
Só molhe esse povo de alegria
Para nunca mais chorar
(Planta & Raiz)


Eu não sei por que, mas no momento em que estou vivendo agora, pareceu-me certo comparar a chuva com as pessoas. Você já percebeu que às vezes elas chegam sem precedentes, te possuem por inteira e vão embora sem ao menos se despedirem? Ou às vezes lhe é anunciado e devidamente alertado que elas vão chegar e você prepara o coração e a alma, coloca a roupa mais adequada, prepara o discurso ou até mesmo se fecha em algum cubículo pensando que vai escapar? Mas elas não são assim. Você não tem absolutamente nenhum controle sob a chegada de uma pessoa na sua vida. Ela vai estar lá na fila do banco ou no pequeno trajeto do seu apartamento até o supermercado, escolhendo as mesmas frutas da mesma banca da sua feira preferida, te oferecendo passagem num tráfego horrendo, te dando um sorriso após um dia cinzento. Você não vai escolher conhecê-la, ela simplesmente estará destinada a te conhecer. E assim como a chuva, ela vai te possuir por inteira e dependendo da maneira que você se entregar a ela, sua vida pode mudar completamente. Ela pode molhar o seu corpo de alegria e pode ser que você nunca mais chore. Por essas e outras, que é preciso pensar muito bem antes de usar um guarda-chuva.


domingo, 3 de fevereiro de 2013

LISPECTOR, Clarice.


Nunca me considerei culta o suficiente pra ler Clarice Lispector, mesmo amando profundamente tudo o que ela escreveu. Nas minhas humildes considerações, presumia que para ler Clarice era necessário ser entendida do mundo, era preciso ser digna de ter o direito de lê-la. Em outras palavras, eu considerava uma leitura restrita à nata intelectual da humanidade. Coisa boba essa minha, mas levava muito á sério. Até que um dia, eis que um fato marcante aconteceu. Entrei numa livraria perfeita, daquelas paradisíacas para os amantes dos livros. Até onde meus olhos alcançavam, só conseguia ver livros. Pra onde eu olhava, lá estavam eles. Grandes, pequenos, de capa dura, de capa maleável, de bolso, de escritório, de brochura, grossos, finos, largos, compridos, estreitos... UAU, eu podia me perder lá dentro com o propósito de nunca mais encontrar a saída. Foi então que me veio uma vontade súbita de folhear – ao menos – um livro da minha tão idolatrada Clarice. Já estava indo ao encontro de uma atendente, quando me dei conta que seria estupidez a minha. O atendente iria rir da minha cara, de certo iria pensar “o que ela fará com um clássico como esse?”. Sendo assim, decidi que eu mesma me aventuraria naquela imensidão livresca. Quando enfim achei um exemplar, não me continha de alegria. Peguei-o nas mãos e folheei-o como se o bebesse. Nesse momento nada mais me importava, nem sabia onde eu estava pra falar a verdade. Passado alguns minutos da apreciação, minha mãe veio ao meu encontro e perguntou se aquele seria o livro do mês. Permiti-me e respondi de imediato que se não fosse aquele, não levaria nenhum outro. Para encurtar a estória (ainda quero usar essa palavra, mesmo tendo ciência de que “estória” pode ser usada como “história”), no livro que comprei tive a imensa sorte de ler um conto na qual me identifiquei muito. Este relata uma experiência que Clarice teve com um livro emprestado de uma amiga (“As reinações de Narizinho”), onde ela descreve como foi a sensação de lê-lo. O trecho segue abaixo e pode-se supor que minha identificação aconteceu devido ao fato de que minhas emoções foram similares, senão iguais, às vividas por minha querida Clarice.

“Eu estava estonteada, e assim recebi o livro na mão. Acho que eu não disse nada. Peguei o livro. Não, não saí pulando como sempre. Saí andando bem devagar. Sei que segurava o livro com as duas mãos, comprimindo-o contra o peito. Quanto tempo levei até chegar em casa, também pouco importa. Meu peito estava quente, meu coração estarrecido, pensativo. Chegando em casa, não comecei a ler. Fingia que não o tinha, só pra depois ter o susto de ter. Horas depois abri-o, li algumas linhas, fechei-o de novo, fui passear pela casa, adiei mais comendo pão com manteiga, fingi que não sabia onde guardara o livro, achava-o, abria-o por alguns instantes. Criava as mais falsas dificuldades para aquela coisa clandestina que era a felicidade. Como demorei! Eu vivia no ar... Havia orgulho e pudor em mim. Era uma rainha delicada. Às vezes sentava-me na rede, balançando-me com o livro aberto no colo, sem tocá-lo, em êxtase puríssimo. Não era mais uma menininha com um livro: era uma mulher com o seu amante” (LISPECTOR, Clarice. “Tortura e Glória” em Aprendendo a Viver, p. 18).

PS¹: Eu e minha mãe temos um combinado, ela me dá um livro por mês. Para os curiosos, o meu primeiro livro foi “O Guia Oficial de House”.
PS²: Eu leio um conto por noite da Clarice, assim aproveito mais o livro.
PS³: Isso foi escrito às 4hrs da madrugada, perdoem as bobices.

quarta-feira, 30 de janeiro de 2013

Memories



Ah, queria como eu queria encontrar o gênio da lâmpada e ter nem que fosse somente um desejo, escolheria sem titubear voltar no tempo, voltar naquele dia meio frio, incerto onde te vi pela primeira vez, com aquela camiseta do superman e um grande sorriso estampado no rosto, ali seria o primeiro de muitos outros sorrisos seus que eu veria... Mal sabia que eu me encantaria por ele, mal sabia eu que te observaria de longe e decoraria suas manias, como aquela em que você insiste em ajeitar o cabelo com as duas mãos ou o seu jeito estranho de sentar e dizer algumas coisas sem nexo por horas. Mas confesso que foi seu modo leve e por ora meio louco de ver as coisas que me encantou desde o início.
O modo como você se importa com as coisas simples e tenta curar tudo com um beijo. É como você fica todo vergonhoso quando falam o quanto você é bom em algo, o seu jeito meio sem jeito de ajudar as pessoas. É o seu jeito de demonstrar carinho. É como aquela vez em que seguramos as mãos num gesto do que poderia se tornar amor. É como as diversas vezes em que você me fez sorrir, até mesmo estando longe. Lembro-me de cada instante ao teu lado com total clareza, dos dias em que esperamos o sol nascer mesmo estando nublado, dos abraços apertados, das noites em claro, do silêncio constrangedor dos beijos roubados.
E sem nos darmos conta passou, se perdeu com o tempo. Ah saudade! – Saudade do que foi bom. Mas ainda te observo, mesmo que de longe.







terça-feira, 29 de janeiro de 2013

Preto no branco


Ia ser maravilhoso se pudéssemos ficar juntos
Daqueles que nem se descolam
Daqueles que mandam bilhetinhos no guardanapo de papel
Cantadas por mensagem de voz
Serenatas debaixo da luz da Lua
Sentados na areia, a serenidade invadindo
Mas de leve, sabe? Deixando espaço pro amor acontecer..
Imagine nós dois juntinhos?
Sussurros ao pé da orelha
Beijos roubados, molhados, silenciosos,
Barulhentos, ciumentos e poderosos...
E eu ia te desenhar e você ia me cantar
E eu ia te dançar e você ia me posar
Tantos planos, tantos sonhos
Quem sabe um dia, a gente deixa esse “preto no branco” sair
E ele começa devagarzinho e vai crescendo
Conforme a gente deixar
Enquanto isso fico aqui a te esperar
E você vai levando sua vida normalmente
E se caso a gente se encontrar de repente
Promete que vamos aproveitar cada segundo?
A vida não para, infelizmente!
Senão poderíamos congelar o tempo
Naquela noite fria de 28 de abril